A micropgmentadora Ana Savoy começou o trabalho em Campinas (SP), mas atende também em outros estados. Neste final de semana ela tatua cerca de 150 mulheres no evento Tattoo Experience.

Por Victória Cócolo*, G1 Campinas e Região – Link para a matéria no portal G1 – clique aqui

Com intenção de se diferenciar no mercado de trabalho, a micropigmentadora Ana Savoy começou a realizar tatuagens de reconstrução de aréola mamária, em Campinas (SP). Mas, logo no primeiro contato com uma sobrevivente de câncer decidiu que não cobraria pelo serviço. O projeto nasceu há 15 anos, continua ativo e está presente no Tattoo Experience, que ocorre no Expo Dom Pedro, até este domingo (17).

“Me senti muito mal com aquele dinheiro no bolso. Ela foi embora, mas logo depois tocou a campainha e veio me dar um abraço. Então eu vi a importância da tatuagem para ela. Hoje em dia eu não me vejo sem fazer esse trabalho”, diz Ana Savoy.

Além da tatuagem de mama, Ana oferece micropigmentação na sobrancelha e tatuagens de segurança. Até este sábado (16), 150 pessoas se inscreveram para realizar o procedimento durante a feira. Do número total, 44 foram atendidas na sexta.

O G1 acompanhou a sessão da analista de RH Silmara Aparecida, de 41 anos, que enfrentou dois cânceres, sendo o primeiro na mama e posteriormente no útero. Por conta da agressividade do tumor no seio precisou retirar as duas mamas. Durante o procedimento, ela acabou perdendo um dos mamilos. Antes da sessão de tatuagem, ela contou que evitava olhar a região no espelho.

“É difícil , a gente sente um sentimento de mutilação”, diz Silmara

O encontro de Silmara e Ana se deu pelas redes sociais. Ela soube das inscrições para o Tattoo Experience, fez o cadastro e não acreditou que teria resposta. Logo em seguida, recebeu uma ligação para agendar data e horário. Antes de encontrar com a tatuadora, Silmara dizia estar ansiosa para ver o resultado.

O câncer de mama não foi sua primeira experiência com uma doença que modifica a aparência. Anteriormente ela foi diagnosticada com alopecia – caracterizada pela perda de cabelo e pelos – e então perdeu sobrancelha, cílios e cabelo.

“Eu senti muito! Fiz tratamento para depressão, na verdade faço até hoje. Com a queda de cabelo, tinha gente que não sentava ao meu lado no ônibus e por não ter sobrancelha, faziam comentários maldosos”, afirma a analista de RH

Recuperação da autoestima

Ana relata que as mulheres que chegam até ela costumam ter perdido a autoestima e muitas vezes não tem expectativas sobre a tatuagem. É só durante o processo, quando apresentadas as paletas de cores e formas, que começam a se envolver e opinar.

“Quando elas se olham no espelho e veem aquela aureola e sobrancelha onde antes não tinha nada é uma emoção muito grande. Não sei se é mais gratificante para elas ou para mim” afirma.

Para sustentar as ações voluntárias, Ana usa o lucro que tem com outros procedimentos e também com cursos que ministra na clínica particular. Também conta com doações de materiais, como tinta e agulhas, feitas por amigos ou pessoas que querem ajudar.

“Patrocínio de empresa eu não tenho. Quero que continue um trabalho voluntário e não que vire propaganda, um trabalho comercial”, conta a profissional

A experiência com o voluntariado permitiu que a micropigmentadora e sua rede de apoio expandissem o serviço. Atualmente ela atua dentro do Centro de Oncologia (COC) de Campinas e Piracicaba (SP) – com o apoio de mais 15 pessoas, além de prestar o serviço na própria clínica e viajar pelo Brasil em convenções de tatuagem e de micropigmentação. Tudo gratuitamente.

‘Superou as expectativas’
Após a sessão, Silmara relatou que tinha a expectativa que a tatuagem ficaria “boa”, mas achou o resultado “maravilhoso”.

“Eu amei, é super realista e ainda não doeu nada, o que me surpreendeu muito. Eu fiz a sobrancelha e doeu muito mais. Foi um presente, gratidão. Acho que agora não vou fugir mais do espelho. Estou muito feliz!”

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